domingo, 17 de agosto de 2014

Paraty- RJ: Centro Histórico


Quando cheguei, a cidade começou a se iluminar hihi...
Paraty, para mim, para todo nós!Não sei quem fez esse slogan, mas caiu super bem para esta cidade cheia de história e charme.
Paraty fazia parte da estrada Real, a rota que escoava o ouro retirado das minas gerais e transportado para Portugal na época colonial. Além disso, possuía vários engenhos de açúcar e teve grande importância para economia brasileira e hoje é considerada Patrimônio Histórico Nacional.

Vamos fazer um passeio básico, mas de pura história. Começamos pelas ruas da cidade com pedras em formato de “pé de moleque”. Por isso, diminua o ritmo e vá com calçados confortáveis. Saber que há uma cidade em que andar de chinelo é quase uma lei, pra mim, foi amor á primeira vista!


Conhecido como pé-de-moleque, o calçamento com as pedras foi feito para evitar que as tropas de mulas – carregadas de preciosidades, como ouro ou café – atolassem nos dias de chuva e levantassem nuvens de poeira nos dias de sol. Dizem que as pedras vieram de Portugal, mas não há registro histórico sobre isso Hoje, veículos não trafegam no centro histórico.
Caminhe tranquilamente...
O centro histórico possui 4 praças. Entre elas a da Matriz, onde encontra-se a igreja matriz de Nossa Senhora dos Remédios em estilo neoclássico que teve sua construção iniciada em 1787 e paralisada várias vezes por falta de recurso até ser entregue a população em 7 de Setembro de 1873 graças a ajuda da Sra. Geralda Maia da Silva que forneceu dinheiro e escravos para a construção.
Igreja da Matriz
Outra igreja que se destaca na vista panorâmica da cidade é a Igreja de Nossa Senhora das Dores.Sua construção foi financiada por piedosas e ricas senhoras em 1800 e é a mais recente da cidade.
Igreja N. S. das Dores- a cidade é cercada pela Serra da Bocaina
A igreja de Santa Rita que faz parte do cartão postal da cidade, se encontra em reforma. É considerado o mais bonito templo em termos de arquitetura religiosa.
Igreja de Sta. Rita- Foto tirada desde o píer donde sai as escunas.
E por fim, a Igreja do Rosário. Construída por volta de 1725 por negros e escravos libertos e administrada pela Irmandade dos Homens Pretos. Logicamente, nela só podiam ingressar os negros, porém o tesoureiro sempre era um branco, pois os negros não podiam assinar e nem rebeber dinheiro. Que coisa, hein!!?
Olha ela lá no fundo...
Assim, cada igreja em Paraty era para agradar a um determinado público: senhoras ricas, escravos, aristocratas e etc.
As casas, nos remetem ao passado colonial da segunda metade do século 18 ao 19. São casas simples porém funcionais. A parte debaixo do sobrado servia para comércio e a de cima ou dos fundos para moradia.

As fachadas caiadas de branco destacam as portas e janelas coloridas. As construções se alinham umas as outras e na mesma altura. Isso ocorreu devido a uma determinação do código de obras da cidade desde 1799.
Um contraste tão charmoso...
Existem três tipos de beirais nas casas do centro histórico:
a cimalha (beiral coberto com madeira)
cachorro (beiral com caibros a vista), primeira casa a direita

beira-seveira (beiral formado por duas ou mais camadas de telhas), 3ª casa a direita.
Na frente das casas, o passeio possui mais ou menos 1 metro e as pedras ficam perpendiculares a parede. Observe que o meio fio tem uma depressão. As casas foram construídas pelo menos 30 cm acima do nível do mar.
Em lua cheia a maré sobe e cria um visual lindíssimo..

Isso foi projetado para evitar alagamento quando a maré alta invadisse a cidade e para manter as ruas limpas das fezes de cavalos e mulas tão comuns naquele tempo.

Apartir do século XIX foi introduzidas janelas de vidro, antes disso usava se janelas de treliça que permitiam ver quem passava na rua e não ser visto, bem como uma boa ventilação.
Fachada linda!

Observe nos detalhes ...Tem fruta no meio?
Note que em cada esquina há três cunhais de pedra lavrada, formando um triângulo imaginário, símbolo maçônico que representa Deus.

A beleza de Paraty não é suntuosa. Ela é simples e encantadora. 2,3,4 dias são poucos para desvendar os segredos desta pérola da Costa Verde do Rio de Janeiro. Espero um dia voltar para disfrutar mais desta cidade que é Paraty, para mim, para todos nós!!!

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