quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Museu Abelardo Rodrigues e Galeria Solar Ferrão

Alguns não gostam de museus por diversas razões: acham os museus chatos, só tem coisa velha ou não tem relevância alguma. Mas em Salvador, há museus que são amor à primeira visita...rsrs. Um deles é o Museu Abelardo Rodrigues e a Galeria Solar Ferrão que fica no Pelourinho.



O prédio do Museu, por si só, é uma atração.


Este prédio que foi construído entre o fim do século XVII e início do XVIII, por si só, já é um grande atrativo. Foi tombado pelo IPHAN ( Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1938. O casarão possui seis pavimentos e já foi ocupado por jesuítas, pertenceu a Pedro Gomes Ferrão Castelo Branco no final do século XVIII e sediou o Centro Operário da Bahia . Em 1978, o governo do Estado da Bahia adquire o edifício para restauração que passa a sediar a Galeria Solar Ferrão no andar térreo e no salão nobre o Museu Abelardo Rodrigues.

Convido você a conhecer um pouco das 4 exposições permanentes e 1 itinerante.

Comece pelo andar superior, o salão nobre que expõe Artes Sacras do colecionador que dá nome ao museu. Fui recebida pela Taline que trabalha na parte de documentação do museu e estava ali para auxiliar os visitantes.


Exposição de obras sacras no salão nobre
Abelardo Rodrigues era pernambucano, colecionou e recebeu doações de várias obras de arte religiosas. Seu acervo foi disputado pelos governos da Bahia e de Pernambuco, episódio conhecido como “guerra santa”. No final, a Bahia ganha a disputa e fica com as obras que só podem ser expostas no salão nobre do casarão.


Neste espaço encontramos representações de anjos e santos em diversos materiais e de várias épocas, principalmente obras do século XV. Não se sabe a origem destas peças pois, na época o Abelardo não fez uma catalogação do acervo. Porém, elas revelam como o barroco foi um estilo arquitetônico predominante na arte sacra, principalmente nos oratórios que podemos ver nesta outra sala.


Oratórios do estilo barroco
Outro elemento deste período são os santos de roca que são imagens apenas com a estrutura armada que eram vestidas para serem usadas em procissões por serem mais leves.


Santos de roca. Veja o último desta fileira.
Mas, o que mais me chamou atenção neste andar, não estava dentro do museu e sim do lado de fora. Da varanda se tem uma vista panorâmica dos bairros de Nazaré, Saúde, Barroquinha e Santo Antônio Além do Carmo. Será que você reconhece alguns monumentos nas fotos abaixo?


Foto 1


Foto 2

Foto 3

Foto 4


1.Lar Franciscano e Capela Santa Izabel
2.Igreja da Saúde
3.Igreja do Carmo
4.Convento do Desterro


Agora, desça as escadas e visite a sala de Arte Africana que expõe máscaras e objetos representativos de mais de 20 sociedades e 15 países africanos que foram colecionados por Claudio Masella, italiano que viveu na Nigéria e no Senegal ao longo de 35 anos. Quem me ajudou a conhecer um pouco mais desta exposição foi a Isabela. Nota 10 pra ela!


Arte africana- máscaras



Ela explicou que as máscaras não possuem apenas um significado que nós atribuímos para esconder o rosto, mas é também uma parte da roupa usada por exemplo, em um ritual ou festividade. As máscaras são feitas pelas mulheres, mas só os homens usam. São de diversas cores, tamanho e materiais.


Você notará que a maioria das peças africanas aparentam o período de gestação da mulher e sua posição de parto. Ou seja, para a continuidade da sociedade é necessário a procriação e quem tem o papel fundamental nisso é a mulher. Assim, as peças exaltam a mulher por esta ser o meio de procriação.


Arte africana- peças de cobre
Alguns criticam as obras africanas por serem grosseiras, mas nesta exposição podemos ver o trabalho delicado em peças de cobre provenientes da região de Gana, chamadas de contrapeso usados durante o trabalho com o ouro. São peças pequeníssima e detalhistas.

Arte africana- utensílios do cotidiano. No canto esquerdo, um banco sem encosto.
Na exposição você vai conhecer um tabuleiro de mancala. O que é mancala? É um jogo africano e seu nome é árabe significa mover. Se você quer saber como se joga mancala dê uma olhada neste vídeo em inglês clicando aqui.


No andar inferior, dei uma passada rápida na exposição itinerante chamada Síntese, do artista Antônio Coêlho de Assis com suas obras em tela e madeira bem coloridas e cheias de forma.


Desça mais um pouco e a próxima sala é a coleção de Plásticas Sonoras com instrumentos criados por  Walter Smetak, suíço que veio para Bahia no final da década de 50 e atuou como violoncelista na Orquestra Sinfônica da universidade Federal da Bahia e lecionava som e acústica. O mediador desta exposição é o Martins que explicou a função e utilização de alguns instrumentos. Um exemplo é a pindorama:


Pindorama- instrumento de sopro
Foto: retirada do site http://www.smetakimprevisto.com.br/


Uma obra influenciada pela eubiose, religião mística, que pode ser tocado por várias pessoas e de várias formas destacando assim a união e o cooperativismo.


Quase todos os instrumentos são feitos da cabaça que interfere na acústica e propagação do som. Por ser violoncelista, você perceberá o grande número de instrumentos de cordas. É uma exposição quase interativa, até porque é impossível falar dos instrumentos sem poder tocá-los, e ouvir o som emitido por alguns deles.


Portanto, é uma exposição também reflexiva. Um exemplo é o instrumento chamado Máquina do Silêncio que leva ao seguinte questionamento: o silêncio emite som? Na exposição você terá a resposta…


Para conhecer um pouco mais a vida e obra deste artista visite o site da exposição clicando aqui.



Acredito que você ainda tenha fôlego para a última sala que é a menor porém muito representativa que é a de Arte Popular e o Iuri explicou um pouco da exposição que conta com peças de barro como as “ Marias Pompeias”, artigos de couro como a vestimenta do vaqueiro e de madeira como o pilão usado para socar grãos.


Arte popular- objetos de barro e madeira.
Na sala mais ao fundo você verá a figura do cabloco, uma das etnias que formaram o povo brasileiro e símbolo da luta pela independência da Bahia.


A figura do cabloco, uma das etnias que formaram o povo brasileiro.


E para finalizar este post, o Iuri me falou do pelourinho de madeira usado em lugares públicos e o pelourinho de pedra que existia nas casas. Exemplar de um pelourinho de pedra na Bahia:


Pelourinho de pedra no Solar Ferrão

Dica: por se tratar de um museu grande sugiro que você veja uma ou duas exposições por visita.

Observação: não é permitido fotografar as peças de nenhuma exposição, apenas é permitido fotografia panorâmica das salas.


Entrada: gratuita.
Visitação: terça a sexta, de 12h às 18h. 

Sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h.
Museu Aberlardo Rodrigue e Galeria Solar Ferrão
End.: Rua Gregório de Matos, 45, Pelourinho, Salvador. Tel.: (71) 3117-6440
Setor Educativo: (71) 3116-6740.
E-mail: mar.ipac@ipac.ba.gov.br

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2 comentários :

  1. Este museu realmente é um dos que mais gosto. Sempre que vou ao pelô e chego antes que deveria para algum local, "faço hora" admirando este espaço.

    Marcus

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  2. Oi Marcus,

    Boa ideia, "fazer hora" no museu. Ainda mais com tanta informação de qualidade...

    Abraços!

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