sábado, 25 de julho de 2015

Cachoeira: um passeio pela cidade heróica e monumento nacional

Poucas cidades na Bahia tem um título com tanto peso como esta cidade localizada no Recôncavo Baiano e às margens do Rio Paraguaçu, um dos grandes rios da Bahia, que abastece Salvador e Região Metropolitana. Independente de qual parte do país você seja, o que o Brasil é hoje, no aspecto histórico, se deve a esta cidade. Visitar Cachoeira é viver a nossa história em seu período mais dramático, sua Independência. Neste post, vamos conhecer duas atrações: a Feira de Cachoeira e o conjunto arquitetônico da cidade.

Praça da Aclamação

Sair de Salvador de ônibus para encontrar meus pais em Cachoeira. Duas empresas atendem a região: Santana e Jauá. Preferi a Empresa Santana e a viagem foi tranquila. Várias paradas ao longo do caminho e dentro de 2h cheguei em Cachoeira. Desci na feira que fica logo na entrada da cidade. Muito agitação e gritaria. Clima de feira mesmo. Maravilha!

Nos encontramos e  fomos correr a feira. E nesta, há de tudo um pouco:


Acarajé delicioso...

A velha balança...


Aquela farinha, da boa!




Carnes e defumados para...

Maniçoba crua. Folha de mandioca. 2 reais cada bolinha



pepino orgânico

tem roupa também


Queijo coalho com manjericão ou pimenta ou orégano, mel, azeite, tudo isso na barraca do Bel

Do outro lado da rua há artigos de palha e bares.

Quais são os dias de feira? Quarta, sexta e sábado.

Continuamos nossa caminhada pela cidade observando alguns prédios históricos e sua arquitetura. Como exemplo temos:

Azulejos valiosos...



Que charme...


Prédio da prefeitura 


Casa do Samba de Dona Dalva





Conjunto do Carmo que é do século 18, é formado pelo Convento do Carmo, a Ordem Primeira do Carmo e a Igreja da Ordem Terceira do Carmo




Ano de 1773

Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, composta de 13 mil peças que formam o maior painel de azulejos fora de Portugal. Não pude ver, pois a Igreja estava fechada.
A famosa Praça da Aclamação foi palco de um dos maiores eventos da luta pela Independência. A cena está retratada em um quadro que você encontra no Palácio do Rio Branco, na Praça Municipal em Salvador e também na Câmara Municipal de Cachoeira.  A obra foi feita por um dos maiores pintores do Brasil Império, Antônio Parreiras e curiosamente, nunca foi paga.

Praça da Aclamação, ao fundo Casa de Câmara e Cadeia


No meio da Praça há um poste onde encontramos 4 datas. E é neste ponto que temos uma verdadeira aula de história e repensamos a forma como ela nos foi contada:
22 de Junho de 1822- começa a luta armada pela Independência do Brasil em Cachoeira, tendo o 25 de Junho como data magna;
7 de Setembro de 1822-  Dom Pedro I proclama a Independência do Brasil às margens do Rio Ipiranga em São Paulo;
7 de Janeiro de 1823- foi travada a Batalha de Itaparica na então província da Bahia, entre 7 de janeiro de 1823 a 9 de janeiro de 1823, entre o Exército Brasileiro e a Armada contra a Marinha e o Exército Português durante a Guerra da Independência do Brasil.
2 de Julho de 1823- data em que de fato, o Brasil de separa de Portugal, quando as tropas de resistência da Bahia, vencem as tropas portuguesas após a Batalha de Pirajá. As tropas vitoriosas entraram na cidade pela antiga Estrada das Boiadas, que mais tarde passou a ser conhecida como Estrada da Liberdade.

Daí, me pergunto: qual a data mais importante o 7 de Setembro ou o 2 de Julho? 
Os historiadores afirmam: o 2 de Julho!

O primeiro foi um acontecimento aparentemente tranquilo e discreto. Um "grito" à beira de um riacho na presença de poucos. No entanto, o segundo foi sangrento e longo. E quem veio ajudar os baianos a conseguir a vitória? Ninguém. Arruinada financeiramente a Bahia consegue expulsar definitivamente as tropas portuguesas do Brasil, através dos seus heróis como: Joana Angélica, General Labatut, Maria Quitéria, Maria Felipa, João das Botas e outros.

A luta pela Independência começa no Recôncavo Baiano, continua na Bahia e se encerra na Bahia.

Reconhecer este fato, levou a presidente Dilma Rousseff a sancionar a lei número 12.819, publicada no dia 5 de junho no Diário Oficial da União (DOU), que inclui o Dois de Julho como data histórica do calendário de efemérides do Brasil. A iniciativa reforça a certeza de historiadores de que o dia da Independência da Bahia é, na verdade, o marco da Independência do país.


Estávamos em Cachoeira, dois dias após as comemorações do 2 de Julho e lá encontramos o caboclo, cultuado no candomblé como dono da terra e símbolo valente e guerreiro, tendo sua origem na figura do índio. Posteriormente se incorporou a cabocla, elemento incitador da hostilidade contra os portugueses.

Continuamos a caminhar pelas ruas da cidade até encontrar a orla, banhada pelo Rio Paraguaçu. A nossa frente, a linda São Félix, ligada a Cachoeira pela Ponte Imperial Dom Pedro II que foi inaugurada em 7 de Julho de 1865.

Daqui partem passeios de barco pelo Rio Paraguaçu




A bela São Félix e suas casinhas coloridas...




Havia uma feira de cerâmicas do município de Maragojipinho, na orla da cidade que por sinal tem uns bares tão convidativos, um dia pararemos pra curtir este local. 

Cerâmica de Maragojipinho


Orla de Cachoeira
Daí, voltamos para almoçar no centro no Restaurante PQTRLV ( que nome!!) em frente a esta praça:

Restaurante Portvl




Após isto, seguimos para São Felix para visitar a Casa Museu de Hansen Bahia, mas infelizmente estava fechada. Mas a emoção ficou por conta de atravessarmos a Ponte Imperial. Sempre que passo por aqui, acho a maior diversão atravessar a Ponte quer seja andando ou de carro.

Um sentido de cada vez. Espera-se os carros virem, para podermos passar...


Foto feita há alguns anos quando atravessamos a pé
Depois fomos para Belém de Cachoeira que fica a uns 10 minutos de carro, sentido Santo Amaro, é só perguntar na feira que todo mundo sabe o caminho. Seguindo a BR-420, do lado direito tem um posto de gasolina e em frente tem a entrada, BA-502, para Belém de Cachoeira. Fomos conhecer o famoso licor de Tia Nén. Saboroso e barato. E é vendido o ano todo. A estrada para chegar até lá é bem ruim, bem esburacada, mas o local é tão fofo...





Doce de genipapo: R$2,50

Praça de Belém de Cachoeira




Em Cachoeira tem o famoso licor de Roque Pinto, mas preferimos conhecer este povoado.

Esta é a BR-420 que se encontra em bom estado de conservação
É bom saber:

O Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Cidade de Cachoeira, foi tombado pelo IPHAN sob o n° 049 do Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. A cidade foi erigida a Monumento Nacional em 18/01/1971, através do Decreto Federal n° 68.045.

O Monumenta é um programa de recuperação sustentável do patrimônio cultural edificado urbano brasileiro sob tutela federal, executado pelo Ministério da Cultura – MinC, e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, mais a contrapartida do Governo da Bahia, que beneficia 26 cidades brasileiras em todo território nacional. 
Na Bahia, o Monumenta beneficia/beneficiou desde 2002 quatro cidades:Cachoeira, São Félix, Lençóis e Salvador. 

Em Lençóis, Cachoeira e São Félix, o IPAC/Monumenta restaurou cerca de 80 imóveis, entre edificações de conventos, igrejas, incluindo bens móveis e integrados, monumentos, casas com usos residenciais e institucionais, cineteatro, ruas, avenidas e orlas fluviais, totalizando cerca de R$ 40 milhões investidos. 


Entrada da Cidade
Cachoeira foi a cidade brasileira, dentre as 26 beneficiadas, que mais recebeu recursos. Dentre as obras em Cachoeira, estão a Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte, a Igreja Matriz, o Convento do Carmo, o Cineteatro Glória, o Quarteirão Leite Alves preparado para receber a sede do Centro de Artes Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB, além das orlas de São Félix e Cachoeira.



Fontes consultadas:
IPAC- Monumenta
Wikipedia - Independência da Bahia
Youtube- Rota da Independência



Empresas de ônibus:
Santana ( esta possui horários mais frequentes)

Confira no Booking pousadas em Cachoeira.

E você, já conhece Cachoeira? Como foi sua experiência por lá? Deixe seu comentário abaixo.

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