quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Reforma dos Fortes de Salvador

Os fortes de Santa Maria e São Diogo, localizados na Barra, serão reabertos ao público em março do próximo ano, após as obras de requalificação que estão sendo realizadas nas duas edificações. Construídas há pouco mais de 400 anos, ambas apresentam diversos problemas de infraestrutura.
Forte de Santa Maria e a pequena enseada do Porto da Barra

Muito além da notícia acerca da reforma, vou escrever um pouco sobre estes equipamentos de defesa que formam patrimônio histórico de Salvador.

A ordem de serviço para início das obras foi assinada nesta quarta-feira, 19 de Agosto, pelo prefeito ACM Neto, em cerimônia no Forte São Diogo. As intervenções, no entanto, começaram há duas semanas.

O grande historiador Luis Henrique Dias Tavares em sua obra, História da Bahia, menciona os fortes que defenderam  a cidade de Salvador durante os ataques holandeses à capital da Bahia. Como exemplo:

- Forte da Barra: este é um dos cartões postais da cidade e o mais antigo. Local onde Gonçalo Coelho, navegador português,  teria estabelecido o padrão de posse em 1 de Novembro de 1501. A primeira estrutura foi erguida no governo de Manuel Teles de Barreto por volta de 1596. A planta é atribuída ao português Leonardo Torreani. Em 1696 quando recebeu o farol, passou a ser chamado de Vigia da Barra.
no forte ou na grama, o espetáculo é o mesmo...
Em 9 de Maio de 1624, os holandeses invadiram Salvador, bombardearam e ocuparam o forte de Santo Antônio da Barra. Ao longo dos anos sofreu várias reformas:
foi reedificado a partir de 1696, durante o Governo Geral de João de Lencastre (1694-1702), quando recebeu um farol;
- o forte apresentava ruína em 1752 e sofreu reformas em 1756;
- novos reparos foram procedidos no forte em 1875;
- em 1903, novos reparos foram procedidos na estrutura do farol e nas casas dos faroleiros;
- de junho de 1974 a 31 de março de 1975, obras de adaptação para a instalação da Seção do Museu Naval e Oceanográfico;


O forte integra o Projeto de revitalização das Fortalezas Históricas de Salvador, da Secretaria de Cultura e Turismo em parceria com o Exército Brasileiro e sofreu obras de restauro de 1995 a 1998, quando recebeu o Museu Náutico da Bahia.
Para saber como é a visita ao Museu Náutico clique aqui 
e mais um dia se vai....

O investimento é de R$ 2,6 milhões, e as intervenções estão a cargo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), sendo executadas pela Secretaria Municipal de Manutenção (Seman). Outros R$ 2 milhões serão aplicados por meio da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura (MinC), na montagem das exposições.
Forte de Santa Maria

- Forte de Santa Maria: não se tem uma data precisa da sua construção, mas o que se sabe, é que ele não existia durante a invasão holandesa em 1624. Possui arquitetura de influência italiana. Na porta de acesso, no alto, está o escudo com as armas do Império. Em fins do século XVII, sofreu reformas que lhe deram o aspecto atual.

Sua construção impediu o desembarque de tropas inimigas na praia do Porto da Barra.
O Forte de Santa Maria era considerado uma posição de artilharia tão importante que recebeu os três melhores canhões de bronze existentes na cidade naquela época.


Com a reforma, os equipamentos vão ganhar, além das mostras, cafeteria, lanchonete, posto de venda de souvenirs. Os novos espaços terão, também, uma área dedicada a contar a história dos fortes, de maneira interativa, conforme o prefeito. Para facilitar a acessibilidade de pessoas com dificuldade de locomoção, serão implantados elevadores.

Olha o Forte São Diogo lá... no meio da foto
- Forte de São Diogo: também foi construído após as invasões holandesas, entre 1626 e 1635,  para guarnecer a enseada da Barra que na época estava desprotegida. Foi construído num ponto mais alto do que o Forte de Santa Maria e sobre uma rocha, porém era vulnerável e seu sucesso dependia do Forte de Santo Antônio da Barra. Sofreu reformas ao longo dos anos:
- em 1694, o Governador D. João de Lencastre realizou uma reforma na sua construção;
- em 1704 D. Rodrigo determinou uma reforma mais ampla mudando o traçado e não havia canhões;
- em 1722, foi reformado pelo Conde de Gáveas, Vice-Rei do Brasil, tendo recebido algumas canhoneiras;

Ele frisou, ainda, que Salvador "depende muito do turismo e, durante muitos anos, não houve investimento em equipamentos culturais. Com isso, os turistas desembarcavam em Salvador e acabavam indo para o litoral norte". 
Vista do interior do Forte    Foto: Marina Palmeira
- Forte de Monte Serrat: construído entre os anos de 1583 e 1587; inicialmente, apenas um fortim. Até o início do século XIX, foi conhecido como Forte de São Felipe, também chamado de Fortaleza ou Castelo de Tapagipe. Uma vez resistiu e noutra não pode conter a invasão holandesa.
Forte Mont Serrat e as cores do pôr do sol
Também sofreu reformas ao longo dos anos:
- em 1654, na gestão do Conde de Castelo Melhor, o forte passou por grandes obras de reforma;
- em 1724, o Vice-Rei André de Melo e Castro mandou reedificá-lo;
- em 1837, foi tomado pelos combatentes da Sabinada, sendo recuperado no ano seguinte pelas tropas imperiais. Finalmente, em 1926, no governo de Góis Calmom, o baluarte é reformado, conservando-se todas as características originais e ajardinando-se a área que lhe fica em frente. É considerado " uma das melhores obras militares do Brasil Colônia".
do Forte de Mont Serrat dá pra ver a praia da Boa Viagem

Próximo ao Forte temos a famosa Ponta do Humaitá e o Farol que nos proporciona uma vista belíssima da Baía de Todos os Santos e onde o povo se aglomera para ver o pôr do sol. Após visitar o bairro da Ribeira, dê um pulinho na Ponta do Humaitá.  Uma sugestão de passeio na Cidade Baixa, você confere aqui.
Ponta do Humaitá e Forte Mont Serrat                       Foto: Janio Alves

E esse pôr do sol de arrasar....
Sobre o Forte São Marcelo, ele acrescentou que a prefeitura irá assumir a administração após as obras de recuperação que estão sendo realizadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Foto de Mario Vitor Bastos
- Forte de São Marcelo: considero o mais bonito de todos e com uma localização privilegiada e infelizmente abandonado pelo poder público.Também defendeu Salvador da invasão holandesa em 1624. Sua edificação remonta a 1608 e sua construção termina em 1623.

Vista panorâmica de Salvador desde Forte São Marcelo     Foto: Mario do Val
Possui características peculiares:
- é o único em formato circular das Américas, possivelmente inspirado no Forte de São Lourenço do Bugio;
- encontra-se dentro do mar e já foi chamado de Forte do mar e Forte de Nossa Senhora do Pópulo;
recolheu o líder farroupilha Bento Gonçalves (1788-1847), que de lá escapou (10 de setembro de 1837) após ter sido vítima de uma tentativa de envenenamento;
- aprisionou líderes da Revolta dos Malês, africanos da etnia hauçá e nagô de religião islâmica;
- se manteve como depósito de pólvora até 1861;
- partir desse ano (1863), a ser utilizado como Quartel da Companhia de Aprendizes Marinheiros;
- Serviu novamente como prisão até 1900;
- embora muito admirado nos dias atuais, já chegou a bombardear a cidade de Salvador em 1912 durante o governo de Hermes da Fonseca.

parte interna do Forte São Marcelo     Foto: Denise Salles
Encontra-se tombado pelo IPHAN desde 23 de Maio de 1938. Já esteve aberto a visitação até 2011 quando foi feita uma restauração e uma parceria público-privada para manutenção do patrimônio. Foi nesta época que tive o privilégio de visitar o Forte junto com minhas colegas da faculdade. Esta é a fortificação que mais admiro. É lamentável que hoje só possamos admirar de longe...

Vista desde o Palácio Rio Branco


o Forte em primeiro plano e a cidade alta. Vista desde escuna que faz a travessia Salvador- Mar Grande ou para Ilha dos Frades

Forte praticamente fora da água...
Érico Mendonça ( secretário de Cultura e Tursimo), por sua vez, ressaltou que esta é mais uma medida para incentivar o turismo cultural da capital baiana. “Salvador tem praias fantásticas, mas é na cultura que temos nossa marca principal, é o que nos torna diferentes dos outros destinos”, pontuou.

* O texto em itálico na cor laranja foi extraído do Jornal A Tarde e para ler a matéria na íntegra, clique aqui.
* O texto teve como base o artigo de Paulo Roberto Rodrigues Teixeira, para ler na íntegra, clique aqui

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