quarta-feira, 7 de outubro de 2015

City tour em Salvador com a Tours Bahia

Para alguns, Salvador é apenas uma cidade de passagem. Daqui, muitos vão para Morro de São Paulo, Chapada Diamantina ou Litoral Norte. Embora isto seja uma injustiça, sugiro este city tour panorâmico oferecido pela agência Tours Bahia. Confira:



O city tour foi agendado para um sábado, às 9h, através de email com a suíça Regula Stromer, responsável pela agência Tours Bahia que fica no Pelourinho. Fácil localização:

Agência Tours Bahia (casa verde) no Largo do São Francisco
Conforme combinado, fui recebida pela guia Gisela e o motorista Sro Agnaldo. De carro, saímos do Pelourinho em direção a Barra. Passamos pelo Dique, Politeama e Corredor da Vitória. Em cada local, a guia explica aspectos históricos e culturais dos atrativos. No Corredor da Vitória, temos árvores centenárias como os oitizeiros trazidos do Rio de Janeiro para arborizar a Avenida Sete de Setembro que completou 100 anos no dia 7 de Setembro de 2015 ( já falei dela aqui ). Ao longo deste trajeto, temos museus importantes como: o Museu Geológico, Museu de Arte da Bahia (o primeiro museu da Bahia) e o Museu Carlos Costa Pinto. Antes de descermos a Ladeira da Barra, avistamos a Igreja da Vitória, uma das primeiras igrejas de Salvador. Continuamos o trajeto e vislumbramos a praia do Porto da Barra. Como nosso tour se prolongaria mais do que o normal, não paramos. Porém, geralmente, a Gisela caminha com o turista desde o Forte de São Diogo até o Farol da Barra fazendo observações acerca dos pontos de interesse como: Forte de Santa Maria, Forte e Farol de Santo Antônio da Barra, a reforma do calçadão da orla da Barra e se o turista quiser, poderá entrar no Museu Náutico.


Corredor da Vitória e suas árvores centenárias. Ah, se toda Salvador fosse assim...

Praia do Porto da Barra. Ao fundo o Forte de São Diogo

Forte de Santa Maria

o belo Farol da Barra. Você já observou que há um brasão bem na frente dele? Pois é, a Gisela explica o porquê...
Voltamos ao Dique do Tororó. Um espaço verde e muito bem cuidado em Salvador e que recebe com frequência atividades de lazer para as famílias. O Dique foi possivelmente uma obra de engenharia dos holandeses que novamente invadiram Salvador em 1634/1635 e represaram as águas do Rio das Tripas. Historiadores ainda afirmam que o espelho d'água era muito maior do que o atual (110 mil metros quadrados), se navegava desde a Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Imagine?!! Em 1937 o Dique é tombado pelo IPHAN por ser o único manancial natural dentro da cidade. Em seu entorno, contemplamos árvores belíssimas como a paineira, eleita árvore símbolo do local. Ao longo dos anos sofreu reformas e a botânica foi alterada grandemente, porém ainda hoje o que nos encanta é a vegetação e seu espelho d'água.

Público do Dique. O que significa tororó?

As paineiras com múltiplos objetivos: climatizar, paisagismo e diminuir o impacto visual das casa nas encostas ao redor do Dique

Orixás do artista baiano Tati Moreno e ao fundo o estádio da Fonte Nova
Depois, seguimos para o bairro da Liberdade que foi considerado o bairro com a maior população negra de Salvador. Este, sem dúvida, é um dos mais importantes bairros históricos da cidade. Pedi a Gisela que parássemos no Shop Liberdade. E o motivo? Esta vista magnífica:


Contemplamos Kirimurê, como os índios chamavam a Baía de Todos os Santos, hoje sendo incomodada com o tráfego dos navios cargueiros. Logo à frente, a maior feira livre de Salvador, a Feira de São Joaquim. Já falei dela aqui e aqui. Um pouco ao lado, vemos a Casa Pia e Colégio dos Órfãos de São Joaquim, inaugurado em 12 de Outubro de 1825 e fundado por Joaquim Francisco do Livramento. Funciona até hoje como instituição de ensino em regime de internato admitindo somente meninos. Mais adiante, a bela Igreja dos Mares, o estilo é muito evidente, o neogótico, construída entre 1930 e 1956. E se observamos bem, identificamos vários outros pontos e a Gisela vai explicando um por um e com riqueza de detalhes. É uma verdadeira aula de história, geografia e religião a céu aberto.

Feira de São Joaquim que também foi a feira de Água de Meninos e sofreu um incêndio na década de 1960. Ao fundo, o terminal marítimo de São Joaquim.

Casa Pia e Colégio dos Órfãos de São Joaquim

Igreja dos Mares em estilo neogótico
O Sro Agnaldo nos aguardava pacientemente para seguirmos o trajeto até a Cidade Baixa. Como era sábado, pegamos trânsito no bairro da Liberdade, mas foi uma oportunidade de observar um comércio de bairro vivo e dinâmico, principalmente num tempo em que se incentiva a compra no comércio local.

Quando a Gisela disse que ia pra Ribeira, eu pensei comigo: "Hum, não teremos nada novo. Teremos os atrativos de sempre..." Ai daquele que subestima Salvador! Descemos do carro e ela me levou a uma casa velha, acabada, mas do século 17. Subimos uns lances de escada e chamamos " ô de casa". E lá vem um homem simples com um sorriso de boas vindas no rosto, Sro Prentice Carvalho, artista plástico que trabalha com pintura em azulejos e dá 200 anos de garantia em seu trabalho. Com simpatia, ele me mostra seus equipamentos de trabalho: o forno de lã de rocha, as tintas, os azulejos e suas obras. Seu trabalho tem mais de 60 anos. Sua obras estão espalhadas pelo mundo: em palácio de Marrocos, da Áustria, na Tunísia e vários outros. Fiquei encantada com trabalho de Prentice e voltarei lá para comprar uma de suas obras.

As lindas pinturas em azulejos de Prentice

Vem gente do mundo todo conhecer as pinturas de Prentice, principalmente levadas através de guias como a Gisela.

O grande artista Prentice

Que perfeição! Pintura, azulejos e dedicação.

Seguimos pela orla da Ribeira reformada recentemente e que está muito bonita. Passamos pela Sorveteria da Ribeira, Igreja da Penha até chegarmos na praia do Bogari, parada obrigatória para admirar aquele pedaço de mar e a colina sagrada. Fotos belíssimas e a Gisela explica cada parte deste local!


Frequentemente os barqueiros estão reformando embarcações


Ao fundo, Subúrbio ferroviário de Salvador

A orla da Ribeira


Igreja da Penha

Trecho da Praia do Bogari. O homem deitado no chão, não é morador de rua, mas um gari que garante o serviço feito, rsrs.

Vista da Praia do Bogari para a Colina Sagrada



Rumo a Igreja do Bonfim, a Gisela vai explicando a formação e as mudanças que este bairro sofreu ao longo dos anos. Chegamos a igreja do Bonfim que na verdade é um santuário que sempre está cheio de turistas e fiéis. A devoção ao santo " Anjo da Guarda" começou em Setúbal, Portugal em 1669. Quando Dom João VI fez uma promessa para a sobrevivência de seu pai e trouxe a réplica da imagem do Senhor Jesus do Bonfim e de Nossa Senhora da Guia, começou em Salvador não só a construção da Igreja, mas a devoção aos santos. A igreja começou a ser construída em 1746 e foi terminada em 1754. Durante este tempo, a imagem do Senhor do Bonfim ficou na igreja da Penha, aquela que nós passamos.

Qual a importância daqueles azulejos? Quem pintou aqueles quadros com tamanha vivacidade? Como deu início a Lavagem da igreja? Sabia que esta festa popular é patrimônio cultural do Brasil? Tudo isso a Gisela explica com muito cuidado.


Azulejos da igreja do Bonfim


uma das igrejas mais visitadas do mundo

as celebradas fitinhas coloridas
Saímos da igreja e seguimos para Ponta do Humaitá. Este local tem um toque especial ao entardecer, onde podemos apreciar a melhor vista do pôr do sol. Porém, estamos aqui mais cedo do que o habitual e o cenário também é encantador. Pescadores, a galera praticando SUP, outros treinando saltos n'água. Daqui, avistamos o Hospital Couto Maia, antes chamado Hospital de Isolamento de Mont Serrat, fundado em 1853 para atender as vítimas da febre amarela. Hoje é referência na Bahia no tratamento de doenças infecto contagiosas. Deixando a costa, voltamos a atenção para  a simples e recatada Igreja de Mont Serrat que tem sua fundação histórica um pouco controversa. Ora foi construída pela família Garcia d'Ávila. Ora por um militar espanhol. Não se sabe ao certo se foi doada aos beneditinos pela família Gracia d'Ávila ou pelo governo da época. Enfim, o que sabemos que este local é uma das passagens obrigatórias para qualquer turista e point do final de semana dos moradores da região.

Igreja de Mont Serrat

Farol do Humaitá inaugurado em 1935



Dê asas à imaginação e mergulhe na criatividade.

Vista para o Hospital Couto Maia e a Pedra Furada

Igreja de Mont Serrat

Forte de Mont Serrat, considerado um dos mais bonitos do Brasil

Praia da Boa Viagem- Que vista, que mar, que cidade!
Voltamos ao Pelourinho, pois durante a tarde teremos mais um tour: o Tour Histórico. E isso eu conto no próximo post...


Gisela Bandt é guia freelancer da Tours Bahia. Paulista de nascimento, baiana de coração. Vive Salvador há mais de 30 anos. Fala inglês e alemão fluentemente. Foi muito atenciosa e paciente. Com um olhar atento e muita disposição em subir e descer do carro, subir e descer ladeiras, subir e descer escadas, passou as informações com amor. Me fez refletir sobre a importância de Salvador e da Bahia na construção histórica, política e social do Brasil. Ao final do tour, sair realmente feliz e agradecida de conhecer ainda mais pessoas e lugares maravilhosos desta cidade. Com certeza, passei a valorizar, ainda mais, Salvador!

Quanto a segurança, tudo ocorreu com a maior tranquilidade.

* Vale salientar que o city tour é flexível e adaptável ao desejo do visitante. Os guias são variados, talvez não seja a Gisela que vai te recepcionar.

Agência Tours Bahia
Largo do Cruzeiro de Sao Francisco, 4/6 
Centro Historico 
CEP: 40.020-280 
Salvador - Bahia - Brasil
Tels: (71)9617-8351 (71)9972-3284
Email: ketin@toursbahia.com.br


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O blog Vaneza com Z  possui parceria/ convênio com as empresas/ serviços citados no texto.

6 comentários :

  1. Respostas
    1. Oi Mari,

      Escrever sobre Salvador é uma honra.
      Não apenas conhecer, mas viver o que a cidade tem de bom.

      Muito obrigada!

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  2. Lendo o post e curtindo o passeio junto. Amei.
    Parabéns pelo texto cheio de encantos e à maravilhosa Gísela!!!

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    Respostas
    1. Olá Gilbert!

      Muito obrigada. E a Gisela é nota mil!

      Abraços.

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  3. Vaneza, bela (RE)imersão você me propicia neste post, já que estou há 4 anos emigrado em Sampa. Estimula-me a voltar em breve"voando" e (RE)viver.

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    Respostas
    1. Olá Getulio!

      Que legal que você gostou. Este foi um passeio que também me encantou e espero que você venha nos visitar em breve.

      Abraços!

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